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Trabalho infantil não é brincadeira

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, por volta de 152 milhões de crianças são vítimas de trabalho infantil pelo mundo, sendo que a metade tem entre 5 e 11 anos de idade. E muitos deles estão a produzir têxteis e vestuários para atender a demanda de países consumidores de moda.

Estimar os números no setor fashion é difícil. Muitas das crianças empregadas nem sequer possuem certidão de nascimento, outras apresentam identidade falsa, outras ainda trabalham de forma sazonal, o que torna difícil rastreá-las. Portanto, esse número assustador de 152 milhões refere-se apenas àquelas já identificadas.

Mas você sabe o que é trabalho infantil?

Diferentemente daquela criança que contribui para a renda familiar sem que se afetem a sua educação, saúde e desenvolvimento, o que pode até ter um impacto positivo, o trabalho infantil é definido pela ONU como “trabalho para o qual a criança é muito jovem – realizado abaixo da idade mínima exigida – ou trabalho que, devido à sua natureza ou condições prejudiciais, é considerado totalmente inaceitável para crianças e é proibido”. Isto é, o trabalho que pode interferir no direito da criança à educação ou prejudicar a sua saúde ou desenvolvimento físico, mental, espiritual, moral ou social.

Pois um estudo publicado em 2017 pelo governo norte-americano revelou que a indústria da moda emprega trabalho infantil em pelo menos 15 países, quer seja na produção de algodão ou mesmo na de vestuário em si – Turquia e Birmânia são os maiores infratores. Desses, ao menos sete países praticam trabalhos forçados, situação em que se encontram 6 milhões de crianças.

As crianças são empregadas porque as suas mãos pequeninas são mais adequadas para colher algodão e costurar, porque exercem funções que exigem habilidade mínima, porque não são representadas por uniões e sindicatos e porque, obviamente, as suas famílias estão desesperadas por sustento. Logo, elas podem ser encontradas a semear no Benin, na colheita no Uzbequistão, na fiação de fios na Índia e em diferentes fases de confecção nas fábricas de Bangladesh.

O relatório também fornece aos fabricantes e marcas informações preciosas para que tomem as diligências indispensáveis nas suas cadeias de aprovisionamento. Mas a verdade é que, mesmo havendo alguns avanços, ainda estamos muito longe de erradicar o trabalho infantil na indústria fashion. 

Um bom exemplo disso é Bangladesh. A indústria da moda é vital para o país e consiste num dos seus principais motores económicos. O setor emprega mais de 4 milhões de pessoas e representa 80% das exportações nacionais, o que o torna o segundo maior exportador de vestuário do mundo, segundo a Organização Mundial do Comércio.

Apesar disso, os trabalhadores das indústrias têxtil e de vestuário enfrentam ali terríveis condições de trabalho. Um levantamento feito pelo Overseas Development Institute (ODI) em 2016 mostrou que 15% das crianças entre os 6 e os 14 anos deixam de ir à escola para trabalhar – a tempo inteiro: em geral, essas crianças trabalham 64 horas; mas algumas chegam a trabalhar 110 horas por semana (sim, você leu direito). Os salários, em média, não ultrapassam os 2€ por dia, em instalações completamente impróprias e raramente inspecionadas.

Engana-se, portanto, quem pensa que o maior atrativo da produção em Bangladesh seja a sua especialização. São os baixos custos que levam as mais famosas marcas de moda do planeta a concentrar ali a sua produção. Por isso, embora a lei até estabeleça uma remuneração mínima e um ambiente de trabalho seguro, os empresários locais relutam em garantir a segurança dos trabalhadores e um sustento digno, temendo afastar os seus clientes se onerá-los mais.

Como é evidente, as consequências para as crianças são terríveis tanto a nível socioeconomico como de saúde. Das crianças entrevistadas pelo ODI, 35% declararam sentir fadiga extrema, enquanto outras relataram sofrer ainda de dores nas costas, febre e feridas superficiais. Mas são também comuns casos de exaustão, insolação e desnutrição, e as crianças podem ser expostas a produtos químicos agressivos que causam tremores, fraqueza, visão turva, tontura extrema, depressão e até paralisia ou morte. 

Por outro lado, socialmente se trata de um óbvio círculo vicioso. O trabalho infantil surge da pobreza e ao mesmo tempo reforça diretamente a pobreza intergeracional. As crianças que trabalham carecem de educação formal e, como os seus próprios pais, serão consequentemente mais propensas a ter um trabalho mal remunerado quando adultos, o que consequentemente afetará as chances dos seus futuros filhos e assim sucessivamente. E o próprio impacto do trabalho físico e das longas horas no corpo de uma criança (mesmo no trabalho que seja considerado seguro para um adulto) pode causar problemas de saúde que a vão prejudicar na vida adulta, restringir a sua capacidade de ganho e aumentar a probabilidade de que os seus filhos precisem começar a trabalhar cedo.

O trabalho infantil é considerado uma grave violação aos direitos humanos. E incontáveis marcas e varejistas de roupas estão vinculados a essa prática abusiva em sua cadeia de suprimentos. Especialmente as mais populares, que consumimos vezes sem conta justamente em razão dos preços baixos.

É claro que nenhuma marca se posiciona a favor do trabalho infantil. Mas poucas realmente se preocupam em conhecer, questionar e valorizar a sua cadeia de produção e muitas outras, acredite-se ou não, ainda fazem vista grossa para esse gravíssimo problema – que, no final das contas, é um forte incremento aos lucros.

E todos nós estamos involuntariamente a consumir produtos que têm na sua origem o trabalho infantil e, muito possivelmente, a escravidão.

Comprar uma roupa barata feita por uma criança exausta, faminta, mal paga, doente e sem futuro tem um impacto positivo no bolso? Tem. Na consciência… Nem tanto, pois não?

Faça a sua escolha. Questione sempre #quemfezminharoupa. Siga o nosso Blog e junte-se ao Movimento Fashion Revolution na luta pelos direitos sociais e laborais na indústria da moda.

Isso é consumo consciente.

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