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Tudo tem uma história: O ciclo de vida das nossas roupas

Tudo tem uma história. E as histórias criam conexão, empatia, sensação de pertencimento.

Não podemos falar em sustentabilidade na moda sem pensar em empatia com as pessoas e com o planeta; em conexão, com aquela roupa e o que ela representa para nós. As roupas não são como as pessoas – embora a icónica estilista Coco Chanel defendesse que “roupas velhas são como velhos amigos. Nós os conservamos.” Mas é possível criar com elas essa conexão, essa sensação de pertencimento que as pode tornar num velho e bom amigo (um bom amigo nunca será descartado à toa).

O movimento Fashion Revolution incita-nos a questionar sempre quem fez as nossas roupas. E, se pudéssemos saber exatamente por quais mãos elas passaram, e qual a história de vida daquelas pessoas, talvez o valor intrínseco de uma peça de roupa fosse substancialmente ampliado para nós.

Ainda chegaremos lá. Infelizmente, hoje somente podemos responder essa pergunta em uma parcela muito pequena dos casos, e graças à moda ética, que efetivamente consegue identificar e controlar a sua cadeia produtiva. Mas o objetivo é justamente esse: mesmo não sendo possível reconhecer e nomear cada uma das pessoas que participou da produção de cada peça, queremos saber, de modo geral, que a sua história de vida é uma história de dignidade, respeito e qualidade de vida.

Se não conhecemos a fundo a história das nossas roupas e o DNA que elas carregam, pelo menos é possível saber por quais estágios de vida elas passaram e vão passar. E podemos começar, por aí, a entender não só o valor agregado daquela peça, os recursos naturais, o trabalho intenso e a quantidade de pessoas que foram necessários para tornar possível a sua existência, como também poderemos começar a avaliar todos os impactos dessa existência em si.

 

Ciclo de vida de uma peça de roupa

 

Cada peça de vestuário é diferente, mas é possível falar de maneira geral sobre os estágios do seu ciclo de vida independentemente do estilo ou tecido empregado póximo.

1. A primeira etapa para a confeção de uma roupa é o design. Tudo se inicia com uma ideia e um esboço, manual ou digital. A partir daí são feitas amostras para testar os tecidos, as cores e cortes. Depois são feitos os desenhos técnicos que serão enviados às fábricas. Obviamente esse processo é muito encurtado no caso das marcas de produção em massa e sobretudo na fast fashion, que geralmente não fazem muito além de copiar as peças lançadas por outros designers, apenas acelerando o percurso das passarelas par as montras.

2. A produção dos materiais é uma etapa crítica do ciclo de vida das roupas. Existem três classes gerais de matéria-prima: as naturais, as sintéticas e as misturas.

As fibras naturais incluem as vegetais, produzidas por meios agrícolas e de processamento (algodão, linho cânhamo etc.), e as fibras de base animal, produzidas por diversos processos (lã, seda, couro etc.). Atualmente correspondem a apenas um terço da demanda global de fibras. A mais utilizada é o algodão, cujos principais produtores são, nesta ordem, a Índia, a China, os Estados Unidos, o Paquistão, o Brasil e o Uzbequistão.

Os outros dois terços das fibras usadas globalmente são as sintéticas e semissintéticas, produzidas a partir de processamento e tratamento químicos comumente à base de petróleo. Os mais comuns são poliéster, nylon, viscose, lycra ou elastano, acrílico e acetato, e o maior produtor é a China, seguida por outros países asiáticos.

As fibras brutas são então vendidas às fábricas têxteis para processamento húmido (branqueamento, tingimento, estamparia etc.), fiação e tricô. Os maiores produtores de têxteis acabados são a China, a União Europeia, a Índia, os Estados Unidos e a Turquia.

3. A etapa final de produção das peças é feita em fábricas de corte e costura. Calculada e adquirida a quantidade necessária de tecido e dos restantes materiais (botões, fechos, embalagem etc.), o tecido começa a ser cortado de acordo com os desenhos técnicos fornecidos pelas marcas. Em seguida é feita a costura, a colocação de acessórios e etiquetas e, por fim, a embalagem.

Essa é uma etapa muito intensa da produção e é aqui que costumam ocorrer as subcontratações de fábricas não fiscalizadas para dar vazão à imensa demanda por peças, produzidas em quantidades absurdas. Esse facto é muitas vezes desconhecido pelo consumidor e até pelas próprias marcas, e vez por outra surgem aqueles escândalos de maus-tratos e trabalho escravo e infantil. Quando isso ocorre, é comum que as marcas aleguem desconhecimento e lancem manifestos de consternação e solidariedade, mas a verdade é que se encomendassem menos peças ao invés de gerar a superprodução (e o desperdício), se conhecessem de perto os seus fornecedores, se pagassem valores mais justos pelas peças e se realmente se importassem com as condições de trabalho dos prestadores de serviços, muitas situações trágicas poderiam ser evitadas.

A maioria das roupas que encontramos no mercado são produzidas na China, Vietname, Bangladesh, Indonésia, Índia, Turquia e alguns outros países – são os nomes que aparecem nas etiquetas. São, em geral, países economicamente dependentes da indústria de vestuário e de legislação propositadamente leniente, o que favorece toda a sorte de abusos aos trabalhadores por parte dos seus empregadores.A etapa seguinte é o frete. Prontas, as roupas viajam de avião, navio, trem e camião para chegar aos grossitas, retalhistas e finalmente até nós. Os maiores importadores de roupas desses países são a União Europeia (38,5%) e os Estados Unidos (17,5%). O uso e a limpeza das roupas tamb ém fazem parte do seu ciclo de vida. Segundo pesquisa da DECO, em Portugal 92% das pessoas lavam as suas roupas numa lavadora; 1 em cada três utiliza também uma secadora. As instruções de lavagem e cuidados com as peças garantem uma vida útil maior. Mas, na hora de tratar as roupas, a maioria das pessoas comete erros que acabam por antecipar o desgaste e, consequentemente, a redução da sua vida útil. Lavar em excesso, misturar as core ou usar temperaturas elevadas, abusar dos produtos de lavagem, secar à máquina, engomar desnecessariamente ou na temperatura errada e guardar no roupeiro de forma inadequada são equívocos que abreviam a vida das peças e causam o descarte prematuro.

5. O último estágio de vida de uma roupa consiste no descarte. As roupas de qualidade são pensadas para durar muitos anos – o que certamente não acontece com a fast fashion, baseada em ciclos extremamente rápidos de moda, superprodução e desejos insustentáveis dos consumidores, num bom exemplo de obsolescência programada para gerar continuamente novas necessidades. Depois de um maior ou menos tempo de uso, a roupa estará velha ou o estilo estará desatualizado. Quando a peça está desgastada, arruinada ou desconfortável em uso, a obsolescência é considerada técnica ou de qualidade e é esta a maior causa de eliminação das roupas; quando o consumidor tem novas necessidades como mudanças no tamanho ou formato do corpo, tem peças semelhantes, não utiliza uma determinada roupa ou precisa de espaço no roupeiro, é chamada situacional; e a obsolescência psicológica é aquela que gera o descarte porque a pessoa está cansada das roupas, não usa mais aquele estilo ou as peças ficaram “fora de moda”.

Nesses casos, as roupas serão doadas, revendidas, recicladas ou vão simplesmente parar na lixeira. É claro que qualquer forma de reuso é o melhor caminho para prolongar a vida útil de uma peça de roupa, e a reciclagem é uma excelente maneira de reduzir o desperdício de matéria-prima. Mas já sabemos que apenas em Portugal vão para os aterros ou incineração 200 toneladas de roupas todos os anos. Assim, além do desperdício de inúmeros recursos naturais usados na produção das peças, são brutais as consequências ambientais do descarte prematuro, como a emissão de gases e a contaminação dos solos.

E esse, portanto, é o ciclo de vida de uma roupa. O ideal, como é óbvio, é prologar ao máximo o tempo de uso das peças, valorizando-se os recursos naturais extraídos do planeta e a mão de obra empregada na sua confeção. Por isso é tão importante apostar mais em roupas de qualidade e durabilidade do que no preço. Pode ser difícil resistir aos apelos da moda rápida, mas já não podemos adiar os cuidados com o nosso planeta.

Então vamos plantar essa semente! 🌱

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